quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Entrevista Escritores: Nikelen Witter


Nome: Nikelen Witter
Cidade/Estado: Santa Maria/RS

Um livro: Haroun e o Mar de Histórias, Salman Rushdie
Um autor: Jane Austen

Uma música: Bohemian Rapsody, Queen  
Uma banda: The Cure

Um filme: O Jardineiro Fiel
Um ator: Tony Ramos 
Uma atriz: Juliette Binoche

Defeito: Sou pouco adaptável.
Qualidade: Pode confiar em mim.

Uma frase: A vida é importante demais para ser levada a sério. (Oscar Wilde)

Mini Biografia: Nasci em Rosário do Sul, na fronteira do RS, mas vim para Santa Maria aos 6 anos, portanto, me reconheço mais aqui. Formei-me em História e fiz mestrado e doutorado na área, atualmente pesquisa História da Leitura e dou aulas no Curso de História da UNIFRA.

LIVROS ESCRITOS:
·         Dizem que foi feitiço: as práticas de Cura no sul do Brasil (1845-1880). (Meu mestrado na área de História. Encontra-se, atualmente, com a edição esgotada).
·         Males e Epidemias: sofredores, curadores e governantes no sul do Brasil (século XIX). (Meu doutorado na área de História. Está publicado on line).
·         Steampink (coletânea da Editora Estronho, na qual participo com o conto Pena e o Imperador).
·         História Fantástica do Brasil – Vol. 2 – Guerra dos Farrapos (coletânea da Editora Estronho, na qual participo com o conto O terror dos teus Inimigos).
·         Escritores Fantásticos (coletânea da Editora Argonautas, na qual participo com o conto Mary G.).
·         Territórios Invisíveis (meu primeiro romance, publicado pelo Selo Fantas, da Editora Estronho).
·         Quando o Saci encontra os Mestres do Terror (coletânea da Editora Estronho, na qual participo com o conto Embornal dos Olhos). (no prelo)
·         Sete Demônios – Vol. 7 – Ira (Azazel) (coletânea da Editora Estronho, na qual participo com o conto Dezessete Mortos). (no prelo)
·         Retrofuturismo: Compêndio do Comendador Romeu Martins sobre Variantes do Punk e suas Associações Inimagináveis (coletânea da Tarja Editorial, na qual participo com o conto Sobre Asas Douradas). (no prelo)

Um Pouco mais Sobre "VOCÊ"
1. Quando e como você resolveu que queria se tornar escritor? Você teve o apoio de alguém em especial?

Nikelen Witter: Falo que vou ser escritora desde os 6 anos de idade. Aos 9 prometi aos meus pais, por escrito, que um dia iria publicar um livro (eles guardam a carta até hoje). Aos 12 escrevi meu primeiro conto longo e com 14 anos, ganhei prêmios com poesia em concursos escolares. De alguma forma, a escrita sempre esteve na minha vida e as pessoas a minha volta sempre me incentivaram e acreditavam que, um dia, eu acabaria por fazer isso seriamente.

2. Como surgiu a ideia de escrever um livro?

Nikelen Witter: Este livro, especialmente, nasceu em 2006, no último ano do doutorado. Pensar nele era meu descanso das horas de estudo, trabalho e escrita acadêmica. Mas tenho outros guardados na cabeça. É um tipo de passatempo imaginar histórias. Acabo fazendo isso uma boa parte do meu tempo livre.

3. Como foi o processo de pesquisa para a criação do livro? Ao começar a escrever, você se inspira em alguma obra, filme ou pessoa?

Nikelen Witter: A criação para mim é muito textual. Tudo me vem em forma de narrativa. Algumas vezes posso contar com um sonho ou uma imagem, mas são quase fotografias, ou sensações que me impressionam. No entanto, tenho paixão pelos personagens, desenvolve-los completamente com seu passado e futuro é, quase sempre, o meu ponto de partida. Já usei música como inspiração, mas Territórios Invisíveis foi um livro que nasceu silencioso. Ele me exigiu uma escuta mais atenta dos personagens. E, talvez, por isso, não o tenha associado com nenhum ritmo em especial.
De resto, acho que tudo o que se viu ou ouviu e todas as pessoas que você conhece acabam, de alguma forma, sendo capturados para compor situações e personagens. Territórios Invisíveis usou muito de pessoas que fazem parte da minha via, mas também de histórias que ouvi na infância, no caso destas, meus pais são pródigos fornecedores, contando-me lembranças e causos. Sirvo-me muito dessas memórias. Por outro lado, a formação de historiadora ajuda bastante na montagem de versões alternativas do que conhecemos, bem como no ritmo das pesquisas e, em especial, em saber onde procurar.

4. Sabemos que no Brasil é um pouco complicado lançar um livro. Como foi esse processo pra você? Quais etapas seguiu? O que você sentiu ao ver seu livro impresso?

Nikelen Witter: Estamos vivendo um momento muito bom para publicações. O crescimento do mercado editorial brasileiro tem aberto espaço para novos escritores, mas também exige profissionalismo. Quero dizer, antes de procurar uma editora é preciso ter nas mãos um texto bem trabalhado e amadurecido. Não é simplesmente escrever uma história e submetê-la. É preciso que pessoas em que você confia, leiam, critiquem, apontem o que não está funcionando e, é preciso reescrever, muitas e muitas vezes. Atualmente, um primeiro passo para chegar às editoras, é participar das seleções de antologias de contos. Aprende-se muito nesse processo, tanto sobre o funcionamento do mercado editorial, como também sobre como seus textos serão recebidos e o grau de maturidade deles. Por outro lado, os contos são grandes exercícios de texto e você ganha familiaridade com as revisões e com a necessidade de mudanças que, muitas vezes, você nem nota que são necessárias. Também aprende a confiar nos editores. Eles sabem o que irá e o que não irá funcionar, as sugestões deles são preciosas e as criticas são fundamentais. Como eu já tinha conseguido que meus textos entrassem em algumas antologias, isso me deu um conhecimento prévio de como submeter meu romance. Neste ponto, a dica mais importante é ler atentamente o que as editoras pedem como forma de apresentação. Fazer a apresentação do livro fora daquilo que as editoras especificaram é pedir para seu original ser desconsiderado. Eu já tinha alguns contos selecionados para antologias da Editora Estronho, então, eles foram gratamente receptivos quando submeti o original à avalição para ser publicado pelo Selo Fantas, que é o selo infanto-juvenil deles. Aí veio a proposta de publicação e estou bastante contente com o trabalho que fizeram para Territórios Invisíveis. O livro ficou bonito, atraente, com ilustrações instigantes. Quando a gente escreve, a história tem um rosto, mas não o livro. Territórios Invisíveis impresso superou minhas expectativas.

5. Se você conseguiu ter seu livro publicado. Como foi ver o primeiro exemplar impresso, saber que ele iria chegar ao público?

Nikelen Witter: Isso é uma coisa engraçada e na qual tenho pensado bastante, obviamente. O livro está na praça, não é? E agora? É simplesmente assustador. O objeto – isto é, o livro – é bonito e tal, mas isso não servirá de nada se a história não cumprir sua função de encantar e divertir as pessoas. E esta parte nada tem a ver com a editora ou a distribuição, mas com a minha escrita. É no diálogo com o público que o livro vai provar que vale à pena. É minha responsabilidade. Por isso, realmente não fico pensando em coisas como vai vender ou não (é uma consequência). O que eu quero mesmo é que as pessoas leiam, viajem, se sintam afetadas pelos personagens, por suas tristezas, alegrias, vitórias. Sou uma leitora apaixonada e, como escritora, gostaria de causar o tipo de amor que sinto quando leio um bom livro.

6. Você acredita que os brasileiros estão se interessando mais por nossos novos autores, ou que ainda existe certo preconceito literário por parte do leitor?

Nikelen Witter: Eu acho que as duas coisas. Temos cada vez mais gente interessada em autores brasileiros, antigos e novos. São leitores que buscam identificação e um certo conforto cultural no diálogo com a leitura. O interesse, nesse caso, é um fator inicial. O leitor realmente fisgado acaba se tornando um propagador, um difusor, um defensor do que ele amou ler. E, sim, com certeza, os novos autores tem conseguido apaixonar um bom número de leitores. Não é suficiente ainda, claro, mas eu confio que a leitura irá se espalhar. Por outro lado, ainda vemos algum – já foi bem maior – preconceito com autores nacionais. Mas, isso tende a diminuir na medida em que os novos escritores conseguem quebrar as resistências apresentando bons trabalhos. Nesse ponto, as editoras tem o importante papel de filtrar os textos e ajudar a prepará-los da melhor forma possível. Sendo assim, se uma editora recebe seu texto e diz que está perfeito, é melhor achar que há algum problema, do que pensar que você é o novo gênio da literatura. Eu repensaria a editora.

7. Para você, qual a importância da literatura e do hábito de ler?

Nikelen Witter: Eu sou uma leitora voraz desde bem jovem, sou professora e formo professores, nos dois últimos anos minhas pesquisas são sobre a história da leitura, logo, para mim, a leitura é essencial. E não é com uma finalidade tipo crescer na vida ou ter bons empregos ou qualquer outro lugar comum. Ler é importante para sermos mais gente, é fundamental, estruturante. Sou fã do escritor argentino Mempo Giardinelli que diz que temos o direito constitucional de ler e que, enquanto não nos convencermos disso, estaremos sendo roubados em uma de nossas mais fundamentais necessidades. Ler nos faz mais cidadãos, mais capazes de ler o mundo, mais fortes contra as intempéries da vida. Nenhum leitor é prisioneiro, nem de muros, nem de grades, nem da realidade. Os leitores, simplesmente, podem mais.

8.Conte pra gente um pouquinho dos seus planos futuros na área literária.

Nikelen Witter: Bem, Territórios Invisíveis é uma série de quatro livros, logo há mais três pela frente para serem escritos. Fora estes, tenho alguns projetos como transformar em romance uma fanfic que comecei há algum tempo e que, por conta da dedicação ao livro, não pude terminar. Como há muitos elementos originais na história, não será difícil descartar aquilo que se liga a um livro já existente. Tenho também um projeto antigo de um romance histórico, que já tem algumas partes escritas, mas que ainda não encontrou o seu tom exato. Por fim, existe essa personagem maravilhosa que vem assombrando meus sonhos e que, para me deixar em paz, precisarei dar-lhe uma história completa.

9. Você está trabalhando em algum novo projeto no momento? Se sim, conte um pouquinho sobre ele.

Nikelen Witter: Sou autora convidada de uma antologia chamada Livros, que será publicada pela Editora Estronho. Trata-se de uma homenagem ao clássico sensacional de Ray Bradbury, Farenheit 451. E, claro, a sequência de Territórios Invisíveis, cuja previsão de lançamento é 2014.

Um breve bate-papo:

Quando escrevo: sou feliz.
O que me inspira: caminhar.
No meu tempo livre: escrevo.
Não saio de casa sem: caneta e bloco de notas.
Estou lendo: O último Homem, de Mary Shelley.
Meu livro de cabeceira é: Obras Completas, de Jorge Luís Borges.
Sou fã de: dos professores deste país que com todo desrespeito à profissão ainda trabalham para formar e conquistar leitores.
Não gosto de: mesquinharia.
Meu maior sonho é: poder usar a maior parte do meu tempo para escrever. E viajar muito.
Não viveria sem: minha família e meus livros.
Estou a procura de: aprender a estruturar melhor o meu tempo. É uma luta inglória.
Um livro nacional que eu li e gostei: Posso citar dois? Cira e o Velho, de Walter Tierno e O Caçador, de Ana Lúcia Merege.
Meu personagem preferido é: Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito.
Quer deixar alguma mensagem aos leitores do blog? Se vocês estão lendo blogs e livros, estão fazendo isso muito certo.


Contato da Autora
 Twitter 
E-mail: nikelen@gmail.com
 

2 comentários:

  1. Adorei a entrevista com a Nika. Ela é especial e mesmo sendo minha amiga, acabei conhecendo coisas sobre ela que eu não sabia.
    Adorei o blog!

    Bjs!

    http://blogdafads.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. ❝Que bom que curtiu tanto a entrevista quanto o meu blog!❞

      Obrigada pelo comentário e volte sempre!
      Bjus -- Angel ;)

      Excluir


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